A nutrição pode ser uma poderosa aliada no manejo de doenças reumáticas inflamatórias autoimunes, como Artrite reumatoide, Espondilite Anquilosante e Artrite Psoriática. A chave está em uma dietoterapia baseada em nutrientes com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Dentre esses nutrientes, destacam-se os ácidos graxos ômega-3, fibras e polifenóis.
Como os ômega-3 participam no controle da inflamação
Os ácidos graxos ômega-3, incluindo o ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosahexaenoico (DHA), atuam no controle da inflamação excessiva. O mecanismo de ação baseia-se na regulação na produção de substâncias inflamatórias no nosso corpo (eicosanoides) e na modulação da função das células T, que é fundamental em condições como a espondilite anquilosante e a artrite psoriática. Além disso, o EPA e o DHA reduzem a expressão de genes inflamatórios ativados pelo NF-κB, limitando a produção de TNF-α e IL-6.
Atenção: para obter esses benefícios, a suplementação e a dose adequada são essenciais, uma vez que é essa combinação que leva à redução da dor e edema, além de proporcionar melhora da qualidade de vida.
Fibras: peças-chave para evitar disbiose
As fibras, especialmente as solúveis — encontradas em vegetais, frutas, leguminosas e grãos integrais — desempenham um papel importante na regulação da microbiota intestinal.
Quando as bactérias probióticas do intestino fermentam essas fibras, produzem Ácidos Graxos de Cadeia Curta (AGCCs), como butirato, propionato e acetato. Essas AGCCs fortalecem a barreira intestinal, diminuindo a permeabilidade do epitélio intestinal e limitando a passagem de lipopolissacarídeos (LPS) para a corrente sanguínea — os LPS, quando passam para a corrente sanguínea, podem causar respostas inflamatórias intensas.
Portanto, uma dieta com a quantidade adequada e a seleção de fibras pode, inclusive, ajudar a reduzir lesões na pele e nas articulações.
Polifenóis: antioxidantes naturais das plantas
Os polifenóis são compostos naturais presentes nas plantas com fortes propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. Aqueles mais ativos, como o resveratrol, hidroxitirosol, catequinas e quercetina, atuam modulando as vias de sinalização relacionadas à inflamação no nosso organismo, incluindo NF-κB, AP-1 e Nrf2. Ou seja, eles ajudam a “desligar” o processo inflamatório.
O que evitar para um melhor controle das doenças reumáticas
Para um bom controle da doença, é importante evitar a ingestão excessiva de alguns nutrientes, como sódio, carne vermelha e gordura animal. Evidências recentes mostram que dietas com alto teor de gordura podem agravar doenças reumáticas. Isso acontece porque elas promovem a disbiose intestinal (desequilíbrio da microbiota) e a inflamação sistêmica.
Esse mecanismo acontece independente das consequências metabólicas mais conhecidas dessas dietas hiper lipídicas, como o aumento da adiposidade e da resistência à insulina, estimulando a secreção de adipocinas e citocinas do tecido adiposo.
A novidade é que essas dietas ricas em gordura estão associadas à redução da diversidade microbiana no intestino e ao crescimento excessivo de bactérias pró-inflamatórias, como os subgrupos Proteobacteria e Firmicutes, enquanto há um declínio das bactérias benéficas, como a Faecalibacterium prausnitzii.
A disbiose provocada por essas alterações compromete a integridade da barreira intestinal, permitindo que substâncias inflamatórias (endotoxinas bacterianas como os lipopolissacarídeos) cheguem à corrente sanguínea. Essa translocação das endotoxinas bacterianas ativa a sinalização do receptor Toll-like e amplifica a produção de citocinas inflamatórias, resultando no aumento da inflamação. Em estudos com modelos animais de artrite reumatoide e artrite psoriática, dietas ricas em gordura demonstraram agravar a inflamação articular, a destruição da cartilagem e os marcadores de estresse oxidativo.
A importância do nutricionista no tratamento de doenças reumáticas
Unindo a alimentação e a ciência, podemos propor ajustes no padrão alimentar do paciente e auxiliar significativamente no controle da doença. Desse modo, a pessoa com uma doença reumatológica pode viver com mais qualidade em seu dia a dia.
Lembre-se: o nutricionista é o profissional capacitado para prescrever um plano alimentar individualizado às suas necessidades específicas, garantindo o melhor suporte para a sua saúde.







